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— Clarissa Corrêa
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Dizer que o tempo vai levar pra longe tudo que passou, e assim vou vivendo.
Pra lembrar quem eu sou, pra salvar o que ainda restou, do nosso tempo
The never-ending pour.
Mexendo nas minhas coisas antigas, encontrei algo perdido, e dizia o seguinte:
“Às vezes me da vontade de condenar tudo sobre nós, gritar para todos que te odeio e que espero que mais nada mude, que vou encontrar outras pessoas ótimas, e que irei xingar os meninos que entrarem na sua onda de garota conquistadora de vestidinho curto e um sorriso largo estampado na cara. Porém, na verdade esse não seria eu.
E o verdadeiro eu, não quer esquecer tudo o que passamos, não quer perder o que esta dentro de nós. Confesso que o verdadeiro eu não quer esquecer cada pingo de chuva que cai, cada momento que passamos juntos, cada sorriso e cada palavra dita, confesso que não quero esconder as fotos que tenho do dia que marcou a primeira vez que nos vimos, confesso que não me dá vontade nenhuma de desligar o radio quando toca uma musica que me lembra você, e também confesso que não sai da minha cabeça o ultimo beijo que me deu um dia antes de você me dizer que desistia de acreditar em nós.
Digo-te que não quero deixar o cotidiano e a rotina do dia-a-dia ir acumulando cada lagrima minha ou cada lembrança nossa.
E esse amor? Que também é meu, e eu me acho no total direito de cuidá-lo, e digo para quem quiser que não faço isso como quem espera ansioso uma atitude sua, que a faça vir correndo até mim e me provar que valeu a pena eu acreditar em nós. Que não faço isso como quem vai passar dias, meses ou sabe se lá quanto tempo esperando você dizer que me ama novamente com a sinceridade de antes. Digo isso com a minha esperança, posta a prova, guardada e silenciosa.
Apenas acreditando quietinho como quem observa o mundo de longe, sabendo exatamente o que vai acontecer. Não afirmo aos ventos, estrelas e a lua, que você vai voltar, ou que nós voltaremos a existir. Mas faço isso como uma criança que recebe a noticia de que o Papai Noel não existe e mesmo assim, na noite de natal acorda feliz, embora quieta e vai até o pé da arvore esperar pelo milagre de Natal.
Eu te espero noite após noite, até que você venha, e farei isso até o fim, não sei, pode ser que o fim chegue mais cedo do que eu imagino, mas eu te esperarei, mesmo sem estelas cadentes, sem canções ao pé do ouvido, sem ligações ou mensagens, sem recados, sem um encaixe certo para o abraço, sem risadas espontâneas e sem sorrisos largos, sei que um dia te verei novamente, e direi muito mais do que minhas lagrimas não me deixam escrever agora.
Confesso ainda que acreditar não é fácil, e que desacreditar é mais difícil do que imaginávamos”
(via mustardpudding)
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